fbpx

A longa lista de mortos pela Covid-19 em Rondônia não é suficiente para pôr fim ao negacionismo

Envie para seus amigos

A população de Rondônia vive uma incoerência sem precedentes. O estado já soma 3.677 vítimas fatais do coronavírus, entre autoridades, pais, mães, filhos, netos, sobrinhos, irmãos, primos, amigos e conhecidos. O Estado, em comparação as demais unidades da federação, é relativamente pequeno quando falamos em densidade demográfica.

São apenas 52 municípios, com pouco mais de 1,7 milhão de pessoas espalhadas em 237.590,543 km². Os mortos são conhecidos, rapidamente alguém compartilha em redes sociais uma mensagem de luto, e logo aquela pessoa é reconhecida. E desde que a primeira morte foi registrada em 30 de março de 2020, os números aumentaram rapidamente. Naquela mesma data, 9 casos foram registrados em todo o Estado, sendo 1 em Jaru, 1 em Ji-Paraná e os outros 7 em Porto Velho.

Se dividirmos o número de vítimas pelo número de dias, entre 30 de março de 2020 a 22 de março de 2021, temos uma média de 10,2997199 mortos por dia. Rondônia já registrou picos de 66 mortos em um único dia (08/03/2020). São números alarmantes. Hoje, 22, em Rondônia são 789 pacientes internados nos hospitais do estado.

Mesmo assim, diante desta tragédia, que afeta o cotidiano de milhares de famílias, ainda tem gente defendendo a política do governo federal, que demonstra total incompetência na gestão do país desde que assumiu, em janeiro de 2019. O Brasil está em crise constante, e não precisa ser ‘esquerdista’ para entender isso, basta ter bom senso. É surreal termos pessoas defendendo por exemplo, o ‘tratamento precoce’, uma invencionice brasileira que comprovadamente não funciona, do contrário todos os países do mundo teriam adotado. Mas parte da sociedade prefere acreditar em notícias descabidas, de algum médico que ninguém nunca ouviu falar, de algum estudo cuja fonte é o ‘grupo de zap’, do que aceitar a dura realidade, que é evitar aglomerações, evite contato social, fique em casa, se possível, e se for para sair, use máscara, alcool gel ou qualquer outra medida.

Entenda de uma vez por todas, não existe tratamento precoce. Cloroquina é para tratar malária, ivermectina mata verme, não vírus, e azitromicina é antibiótico, mata bactérias, e não vírus.

Uma das poucas medidas eficazes, que ajuda a reduzir a gravidade da doença é a Aspirina, por se tratar de um anticoagulante, e vem sendo usada em hospitais mundo afora, com resultados satisfatórios. É triste ver pessoas dizendo que não vão se vacinar contra o coronavírus por conta de uma desconfiança tola, propagada por pessoas que não tem nenhuma responsabilidade ou empatia com outras. O negacionismo mata tanto quanto a doença.

Os hospitais em Rondônia estão com 100% de ocupação, tanto rede pública quanto privada. Nesta segunda-feira o governo federal anunciou que vai custear novas unidades de terapia intensiva no Estado, é questão de tempo delas também estarem lotadas. A única e efetiva medida contra o covid, que é o distanciamento, não está sendo adotada.

Em um ano já perdemos milhares de pessoas, que levaram para o túmulo seus sonhos, de seus entes queridos, que fazem, e seguirão fazendo falta aos amigos, as reuniões de fim de ano, as festas de aniversários, a tristeza da perda se fará presente em cada lembrança.

Perdemos Anizinho Gorayeb, figura de riso fácil, bom amigo, excelente contador de histórias; nos deixou também Eduardo Coimbra, cardiologista muito conhecido por sua competência; Gilvan Ferro, ex-secretário de segurança, que deixa filhos e esposa; Luiz Júnior, jornalista que ainda consolidava seu nome, também deixa esposa e filho; Paulo Valadão, delegado de Polícia Civil; Walter Waltenberg, ex-presidente do TJRO; Adílson Santos, o ‘indião’, cinegrafista da SIC TV; Uyrandê Castro, empresário pioneiro de Porto Velho; Gabriel Lorenzo, jovem, influenciador que tinha uma legião de seguidores e amigos; Dalterson Vieira Pinto, assessor parlamentar do deputado estadual Jair Montes; A travesti Laison, conhecida como Maravilhosa; Francisco Matias, historiador; José Antônio Gentil, delegado aposentado; João Lucena Leal, advogado e ex-secretário de segurança; Gessi Taborda, jornalista, e esposa, dias depois; o querido Mikael Esber, figura generosa que adorava celebrar a vida; Marcelo Bennesby, jornalista que viveu um drama prolongado, primeiro um acidente vascular cerebral, e depois o contágio pelo coronavírus. Nenhum corpo aguenta.

A lista acima é de uma ínfima parte de pessoas conhecidas, a maioria de Porto Velho, cujas mortes tiveram repercussão. Temos os milhares de anônimos, que estão fazendo falta apenas a seus familiares e amigos, e deixam uma lacuna que jamais será preenchida.

A nós, da imprensa, nos resta relatar, informar.

Por aqui, a gente torce para que essas famílias encontrem consolo e amparo entre os seus.

Vacinem-se; evitem aglomerações e exposições desnecessárias. Não sigam nenhuma ordem imbecil do presidente da República.

Deixe um comentário