A suspeitíssima e milionária compra de testes rápidos pelo governo de Rondônia

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Governo pagou mais de R4 3 milhões adiantados a uma empresa paulista cujo capital social é de R$ 175 mil e até hoje não cumpriu o prazo de entrega, que eram de 10 dias

Em meio a confusão causada pela pandemia do coronavírus, o governo de Rondônia resolveu que, na pressa é melhor pagar primeiro para ver depois.

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Em 3 de abril, a empresa Buyer Br, de Barueri (SP) apresentou proposta de venda de 100 mil kits de testes rápidos, ao valor unitário de R$ 105,00, totalizando R$ 10.5 milhões. Como se tratou de compra emergencial, houve dispensa de licitação e autorização para pagamento de 30% do valor como entrada e o restante no faturamento.

Endereço da Buyer BR

A empresa Buyer Br, apesar do nome pomposo, funciona em uma casa relativamente simples e apresentou capital social de R$ 174 mil, mas recebeu adiantado, do governo de Rondônia, no dia 7 de abril, R$ 3.150 mil e deveria ter entregue os testes no dia 17 de abril, dez dias após o recebimento do adiantamento conforme estabelecido no ato da compra. Já se passaram 35 dias e os kits ainda não foram entregues.

O governo também se comprometeu a buscar, em São Paulo, os kits, tão logo eles chegassem da China, onde foram fabricados. A Buyer Br é uma empresa atravessadora, que trabalha em parceria com outra empresa, a Level. A Level importa, a Buyer compra e revende, não tem estoque.

A Buyer alega estar com problemas, porque em função da pandemia, voos foram cancelados e atrasou a chegada, mas garante que os kits já estão no Brasil, e que agora eles estão trabalhando para liberar a carga junto à Receita Federal, informou uma representante da empresa.

A expectativa é que nesta semana parte dos kits sejam entregues, e isso também levanta suspeitas. A empresa alega que está desembaraçando as mercadorias na Receita, e que nesta terça-feira, 12, entregaria uma parte e possivelmente na quinta-feira, 14, ou sexta-feira, 15, o restante.

Mas, se o governo está indo buscar, porque a empresa não entrega tudo de uma vez na sexta, economizando o frete e facilitando o controle do estoque? Eles não responderam.

Além disso, existe uma forte suspeita de superfaturamento na compra dos kits. Eles foram adquiridos em 7 de abril, quando, de acordo com o boletim epidemiológico do governo, o Estado registrava apenas 23 casos da doença um óbito, a Sesau pagou R$ 105 por cada kit de teste rápido. Ocorre que na mesma data, a prefeitura de Porto Velho comprou 10 mil kits de testes rápidos para Covid-19 ao preço de R$ 79,00 a unidade, oriundos da Alemanha, que apresenta aprovação pela Anvisa e segurança nos resultados em 98%, segundo representante.

Na pressa, a empresa foi habilitada numa sexta-feira e já no domingo estava apta para fornecer o produto, não tendo o comprador, tido tempo para avaliar melhor e pesquisar no mercado. No final, quem ofereceu menos prazo, talvez com o fito de ganhar o certame, acabou atrasando mais e cobrando mais caro.

Um teste para ser eficaz e atender pelo menos 99% com segurança, precisa ser de uma empresa que possa ter a certificação da Anvisa quando chega ao Brasil. Segundo os dirigentes da fornecedora já estão com toda essa documentação em mãos. Segundo Maires, a Anvisa ainda não liberou, mas, aguarda a publicação para amanhã em nome da Level Importação, Exportação e Comércio S/A, sob o número de protocolo, 25352.189916/2020-92.

O Brasil tem apreendido muitas mercadorias oriundas da China, principalmente testes da Covid-19 que não funcionam. Para tanto, houve até a publicação de uma Resolução da Vigilância Sanitária nesse sentido.

Painel Político com informações do Nahoraonline

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