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Alô PF, governo de Rondônia comprou hospital por R$ 12 milhões sem necessidade

Apenas Porto Velho contaria com 193 novos leitos sem recorrer a compra da Regina Pacis

O governo de Rondônia, comandado por Marcos Rocha comprou a maternidade Regina Pacis, um prédio totalmente inadequado ao preço de R$ 12 milhões para servir de ‘hospital de campanha permanente”, para atender os pacientes com Covid-19. A justificativa era a “falta de leitos’ na rede pública para atender a demanda.

Antes dessa compra, porém, o governo tentou alugar o hospital Prontocordis, e falhou miseravelmente porque parte da imprensa denunciou. Acuado ao ter que dar explicações sobre os motivos de torrar R$ 9 milhões na locação, o governo recuou.

Mas, logo em seguida efetuou a compra da maternidade, que precisou passar por uma ampla reforma, e na tarde da última a quarta-feira, entregaram 12 leitos de UTI, em uma solenidade que aglomerou mais de 100 pessoas.

A questão é que, tanto a tentativa de locação quanto a compra da maternidade foram totalmente desnecessárias, tendo em vista que a Assembleia Legislativa alugou do Hospital do Amor uma ala inteira, com 61 leitos, sendo que 12 são de Terapia Intensiva (UTI). Vamos fazendo as contas.

Até o momento, de acordo com o próprio governo, 85% das vagas em UTIs estavam ocupadas.

Em maio deste ano veio à público a informação que no Hospital de Base em Porto Velho uma ala inteira onde funcionava o almoxarifado poderia ser concluída gastando cerca de R$ 1 milhão e de imediato ofereceria 56 leitos, com a vantagem de ter concomitantemente, Raio-X, Tomografia Computadorizada para exames pulmonares, ventiladores, UTIs e ainda 14 salas cirúrgicas, Laboratório 24 horas, enfermaria de hemodiálise, banco de sangue e 2.800 servidores se revezando em turnos de trabalho. De acordo com profissionais de saúde que informaram sobre esse espaço ao jornal eletrônico Nahoraonline, essa enfermaria poderia de forma emergencial chegar a 80 leitos a serem implantados.

Teríamos até aqui, 141 leitos, lembrando que até agora estamos falando apenas de novos espaços de atendimento.

Na noite da última quinta-feira, o deputado federal Léo Moraes, líder do Podemos na Câmara dos Deputados, mostrou que o Estado ainda dispõe de mais 52 leitos no CERO, uma unidade recém-construída no bairro Mariana, totalmente montada incluindo uma farmácia abastecida, equipamentos de proteção individual e pronta para adaptar pelo menos 10 leitos de UTI. De acordo com o parlamentar, a unidade foi ‘escondida’ para justificar a compra da maternidade.

Teríamos então até agora, 193 leitos novos, até aqui sem precisar do Regina Pacis.

A compra da maternidade, até agora, não se mostrou necessária.

Mas, alguém vai falar, “ain, o Léo Moraes é candidato a prefeito e por isso está fazendo confusão”. Independente do futuro incerto de Léo Moraes, o ponto principal da questão é que, o governo está gastando descontroladamente e sem fiscalização efetiva por parte dos órgãos de controle que estão sendo induzidos à erro com manobras, no mínimo, nebulosas.

E nem estamos falando aqui sobre leitos no interior do Estado, e nem dos municípios. Se o governo de Marcos Rocha fosse minimamente responsável e tivesse um planejamento claro, estaria operando em parceria com os municípios, que estão adotando medidas por conta.

Quando falamos em “compra emergencial”, é porque se trata de uma emergência, e não de uma coisa que vai levar quase 70 dias para ser parcialmente entregue. O governo tem unidades que poderiam ser rapidamente adaptadas e utilizadas sem a necessidade de comprar prédios ou fazer reformas dispendiosas. O dinheiro usado na compra do Regina Pacis, poderia, por exemplo, ter sido usado em auxílios a população que está desempregada. Já que o governo se preocupa tanto com a economia, deveria saber que dinheirosa conta de milhares de pais de família, seria um incentivo para manter-se em isolamento. Mas é apenas uma sugestão.

O ponto principal é, até onde vai essa panacéia que vem sendo promovida pela secretaria de saúde do Estado com a conivência do governador?

Faça as contas, quanto dinheiro poderia ter sido economizado se houvesse planejamento? E os testes rápidos, comprados sem registro na Anvisa, que também eram ’emergenciais’ e foram entregues sob pressão da imprensa, porque pelo governo estaria esperando até hoje?

O que falta para a Polícia Federal chutar a porta do Palácio? Tenho certeza que, se fosse um governador tucano ou petista, já tinha gente na cadeia há tempos…

1 comentário em “Alô PF, governo de Rondônia comprou hospital por R$ 12 milhões sem necessidade”

  1. Regina Pacis um prédio que foi vendido por 12milhoes, para ser entregue adequadamente. Os gastos com essa adequação saiu do bolso de quem recebeu os 12milhões. Inadequado ao ponto de ter uma usina auto suficiente de oxigênio, ampla farmácia, toda reforma deixando dentro das normas exigidas pelos órgãos responsáveis. E que no final da pandemia continuará sendo do governo, já que o João Paulo 2 já não da conta faz muito tempo.

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