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Bolsonaro é quem mais lucra com dois candidatos disputando sua atenção em Rondônia; e ambos devem afundar

Em Rondônia, estado que deu mais de 70% dos votos para Jair Bolsonaro em 2018, ele ainda é um ‘mito’. E isso é explicado de forma até simples, um dos fatores foram as desastrosas gestões do petista Roberto Sobrinho frente à prefeitura da capital, que devido a incompetência sua e da equipe, fizeram o mínimo, quando poderiam ter feito muito. Aliado a isso, denúncias de corrupção, desvios, irregularidades que custaram paralisação de obras e claro, o momento político que o  país atravessava.

Os indícios dessa mudança brusca de direção por parte do eleitorado tiveram início ainda em 2016, quando a capital elegeu para a prefeitura o até então ilustre desconhecido Hildon Chaves, recém-aposentado do Ministério Público do Estado, como um ‘paladino’ da moral, justiça e que ‘conhecia bandido com dois minutos de conversa’.

Ainda em fevereiro de 2017 escrevi um artigo onde apontava que Jair Bolsonaro seria eleito no ano seguinte, e elencava algumas razões.

Em 2018, como esperado, a onda bolsonarista tomou conta do Estado, e elegeu como governador o também desconhecido Marcos Rocha, e poderia ter sido qualquer  um que estivesse disputando com o número 17, o eleitorado estava indiferente à pessoa, apostando na legenda. Por pura falta de opções, foi eleito Marcos Rogério, que era deputado federal e embarcou na disputa em dobradinha com Expedito Júnior. Rogério levou os votos que seriam de Expedito, que apesar de ter ido para o segundo turno, amargou a derrota.

Ideólogo de ocasião, Marcos Rogério tratou de ficar neutro em primeiro momento, mas percebeu que apesar de Bolsonaro estar em queda no Brasil, em Rondônia, principalmente junto ao eleitorado evangélico, plantadores de soja, pecuaristas e comerciantes, o presidente ainda tem força. E é de olho nisso que ele aposta suas fichas para as eleições de 2022.

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Marcos Rogério

Marcos Rogério não tem nada a perder, exceto é claro a eleição para governo, mas seu mandato no Senado vai até 2026, portanto, ele segue no jogo. Com a defesa intransigente do governo de Jair Bolsonaro na CPI da Pandemia, que já apurou o descaso do governo na compra de vacinas e um ‘gabinete paralelo’ composto por pessoas sem nenhuma qualificação para lidar com questões de saúde, o desgaste será ainda maior. 

Porém, enquanto Marcos Rogério defende Bolsonaro na CPI, Marcos Rocha mantém sua fidelidade quase canina ao presidente em Rondônia. Seguiu à risca as políticas equivocadas do governo federal, que colocou o Estado como o segundo estado onde a Covid mais matou (e segue matando), a vacinação está incrivelmente atrasada e a vida praticamente ‘voltou ao normal’.

Teremos, portanto, dois candidatos bolsonaristas, disputando o mesmo eleitorado e ambos pedindo votos para o mesmo candidato a presidência. Nesta segunda-feira Flávio Bolsonaro anunciou que já está filiado ao Patriota, e que seu pai também seguirá para a legenda, na qual a primeira dama do Estado é uma das dirigentes. Marcos Rocha deve ir no mesmo rumo e isso vai obrigar Bolsonaro, de alguma forma, apoiar o candidato da legenda, deixando Marcos Rogério no limbo, vai ser complicado para Jair declarar voto em outro candidato que não seja o de seu partido, mas isso também não é garantia de vitória para Rocha nas eleições vindouras. O governador não tem muito a simpatia do eleitorado e escorrega no quesito competência. Ele tem feito o mínimo desde que assumiu o Estado e isso está longe de ser suficiente para garantir a reeleição, ainda mais que pairam sérias desconfianças sobre a honestidade nas aplicações dos recursos de combate à Covid em Rondônia.

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O que pode causar uma reviravolta neste cenário, é Marcos Rogério saber de algo que Marcos Rocha não sabe, tipo uma operação da Polícia Federal com base em investigações que estejam em andamento. Aí Bolsonaro vai ter todos os argumentos para pedir votos a Marcos Rogério. 

Mas, também é bom ressaltar que isso não é certeza de vitória para o senador. Outras candidaturas estão postas, e temos ainda o fator Ivo Cassol, cuja entrada no processo está mais perto do que longe. Sondagens também colocam Léo Moraes no jogo com força, e apesar das velhas raposas alardearem que o deputado ‘não tem grupo’, isso só depõe a seu favor. Léo costuma repetir que ele não tem grupo, mas tem o voto daqueles que estão cansados de tantos grupos e querem alguém que tenha compromisso com a população e não com conchavos.

Estamos longe da eleição, mas é possível vislumbrar que na briga entre os Marcos, só quem ganha é o Jair.

Jornalista, consultor em comunicação e gestão de crise

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