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Debate foi marcado por críticas, populismo e constrangimentos

O Rondoniaovivo promoveu na noite da última quinta-feira, 12, o ultimo debate entre os candidatos à prefeitura de Porto Velho. E estavam quase todos lá, exceto Williamens Pimentel e Cristiane Lopes. O primeiro por não ter participado da reunião preliminar que estabeleceu as regras e a segunda por estar internada com covid-19.

Entre os presentes, ficou evidente a real falta de propostas e o eterno papo furado de candidatos. O tema mais polêmico e recorrente foi o saneamento, que lembra os debates a governo, cuja temática é transposição.

Hildon Chaves, atual prefeito e candidato a reeleição estava visivelmente cansado. Ele, claro é vitrine e foi alvo da maioria. Basicamente disse que em quatro anos à frente do município, ‘asfaltou mais que qualquer outro’. É verdade, ele só esqueceu de dizer que o asfalto é fruto de uma emenda de bancada federal coletiva, conseguida em 2015 e que seria feito independente de quem fosse o prefeito. É um recurso carimbado que não poderia ser usada em outra coisa, a não ser asfalto em Porto Velho. O assunto foi amplamente divulgado.

Se Hildon sustenta toda sua gestão apenas no asfalto, que independia da ação dele, dá para fazer uma boa avaliação de seu mandato. E nem vamos entrar na temática transporte, tanto coletivo quanto estudantil…

O candidato Vinicius Miguel passou o debate entre ataques e explicações. Chegou a ser chamado de ‘menino’, ficou irritado, bateu o pé. Faltou fazer beicinho e chorar. Não convenceu e deixou a desejar, muito. Quem esperava algo dele, se decepcionou. Breno Mendes tem razão, Vinicius saiu menor no embate.

Ramon Cujuí marcou presença forte em defesa do PT e das pautas de esquerda. Aproveitou os espaços para falar sobre as grandes obras estruturais feitas pelo governo federal em Porto Velho, que só não foram melhores devido a incompetência e a vaidade de Roberto Sobrinho, que não entendeu o momento. Poderia ter sido senador ou governador, se tivesse sido um prefeito mediano. Teria dificuldades de eleger-se vereador.

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Breno Mendes, que chamou Vinicius de “menino”, teve uma postura firme diante dos ataques promovidos por seu adversário, mas estava visivelmente desconfortável por ter que responder as provocações. Se perdeu nas considerações finais, mas teve uma atuação dentro da média. Não perdeu, mas também não ganhou.

Lindomar Garçon foi encurralado por Leonel Bertolini que insistiu em hostilizar o ex-deputado federal. Garçon respondeu como sempre fez, evasivo, populista e desnecessário.

O embate mais firme ficou por conta dos militares, Eyder Brasil e Ronaldo Flores, um sargento e um coronel, trocando acusações sobre auxilio moradia, uso das instituições militares como palanque. Desconcertante.

Ainda mais desconcertante foi quando Eyder, em oportunidade para fazer questionamentos a Samuel Costa, virou para Hildon e acusou o prefeito de não ter feito compras emergenciais de ‘cloroquina e ivermectina’. Aos gritos, disse que Hildon tinha “sangue nas mãos”. Mais interessante foi a resposta de Samuel Costa, que passou a discorrer sobre outro tema que nada tinha a ver. Pareceu uma conversa de bebado para delegado, um fala sobre alho, e o outro sobre a importância do uso da lã numa peça de tricô.

Pimenta de Rondônia, que está em praticamente todas as eleições, fez seu papel. Bem humorado, mandou abraço para a esposa que estava em casa e um beijo para o filho que estava no auditório.

Edvaldo Soares comportou-se como se estivesse ano púlpito da igreja. Anos de televisão e cultos evangélicos lhe deram desenvoltura. Mas cansativo como qualquer palestrante.

Samuel Costa precisa parar de usar frases de efeito e linguajar rebuscado. O típico ’embromeition’, lembra Rolando Lero, fala demais e não diz coisa nenhuma.

Resumindo foi um debate, longo, desnecessário, cansativo e desinteressante. De parabéns mesmo só a equipe do Rondoniaovivo, que comprovou porque é líder absoluto de audiência quando o assunto é jornalismo eletrônico.

Jornalista, consultor em comunicação e gestão de crise

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