Close

Depois do golpe, a ressaca e Câmara acha tudo normal

É triste ter que escrever sobre isso, tendo em vista se tratar de uma questão delicada. Vivemos um momento terrível, de luto contínuo, de dor e a agonia de termos que enterrar pessoas queridas, ou os inúmeros pedidos de ajuda para pagar tratamento por conta de uma doença tão letal.

Mas é exatamente por isso, que os cuidados devem ser redobrados. Principalmente quando já temos notícias inclusive da circulação de vacinas falsas sendo comercializadas em alguns países.

A prefeitura de Porto Velho só não tomou um golpe milionário por pura sorte. Caso a polícia de Pernambuco e Rio de Janeiro não tivessem agido, Hildon Chaves passaria uma vergonha muito maior.

O prefeito teimou, mesmo contra todos os indicativos e alertas, inclusive do próprio laboratório AstraZeneca, que garantia não estar comercializando doses de vacina em país nenhum do mundo que não fosse através dos governos. Eles emitiram nota sobre isso. Posteriormente eles confirmaram, aqui mesmo, para PAINEL POLÍTICO.

Hildon explicando o golpe

Os vereadores, todos, vem tratando Hildon com condescendência, que ele, tadinho, foi vítima de bandidões malvados que iludiram o prefeito. Mas os vereadores também são culpados, talvez até mais que o prefeito. Cabe a eles fiscalizar e pedir explicações sobre os atos do chefe do Executivo. Mas Hildon foi na Câmara, contou a balela de ‘grupo de investidores’ e até Alekis Palitot, que se diz ‘neutro’, passou a mão na cabeça do prefeito.

Hildon insiste em dizer que ‘não houve prejuízo’. É claro que houve, e só não foi pior graças a polícia, do contrário ele estaria amargando ter que justificar ter sido vítima de um golpe, tramado por trambiqueiros amadores, que sequer alugaram uma sala, usando um espaço de coworking.

LEIA+
Taxista morreu de Covid-19 e não conseguiu um exame de raio-x sequer, e o prefeito quer liberar o comércio

Marcelo Thomé, o que se diz ’empresário’ e ocupa, junto com a presidência da FIERO um cargo na prefeitura, teria sido ‘a ponte’ entre os tais ‘investidores’ e a prefeitura. Ele que teria afiançado o negócio. Não quero fazer juízo de valor sobre essa negociação em si, apenas lembrar que a FIERO, há anos virou um cabidão para empresários, sendo que alguns sequer tem empresa.

O mínimo que a Câmara de Vereadores deveria ter feito no atual cenário era pedir a cabeça de Thomé, e investigar, para saber até onde, de fato, acabava a inocência e começa a culpa nessa história toda.

É imperdoável o fato da prefeitura não ter constituído uma comissão para fazer uma visita ao tal ‘grupo de investidores’. Dizer que ‘o dinheiro não foi liberado’ não representa nada. Como já disse, só não foi por conta da ação policial, o golpe estava pronto.

Os vereadores de Porto Velho precisam mostrar que servem para alguma coisa, porque até hoje, sinceramente, só sabem reformar aquele prédio velho e dizer que estão ‘pedindo providências’. Melhor fechar, porque sai bem mais barato.

Jornalista, consultor em comunicação e gestão de crise

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

0 Comments
Total
1
Share
scroll to top