Close

Disputa pelo comando da OAB em RO ganha força nas redes sociais, mas faltam ajustes

Em 15 de novembro próximo, os advogados rondonienses devem eleger a nova diretoria da seccional da Ordem dos Advogados do Brasil. No páreo, dois grupos que já estão com as campanhas nas ruas e nas redes sociais. De um lado, a advogada Zênia Cernov, que vem massificando informações sobre quem é quem dentro da sua equipe. As peças, que já circulam nas redes, mostram de maneira direta e leve, quem vai compor a sua diretoria.

E o feedback tem sido positivo, avalia a equipe de Zênia, dado o alcance orgânico que vem obtendo. Além disso, a nova linguagem adotada pelo marketing, atinge diretamente a jovem advocacia, que é maioria do eleitorado da Ordem. À princípio, as peças estavam mais sisudas, pesadas. Com a correção no rumo, a campanha ficou bem mais dinâmica.

Outro ponto que vem chamando a atenção nesta eleição, é o fato dos grupos estarem menos agressivos que em disputas passadas, e divergências e futricas se resumem a ‘grupos de zap’ e bolhas menores. Ponto positivo para a OAB.

De outro lado, o advogado Márcio Nogueira, que também modificou a linguagem da campanha. Sua equipe definiu pelo modelo ‘talk show’, onde ele conversa com advogados, e a idéia, ao que sugere, seria ‘conhecer um pouco mais sobre as histórias dos advogados’. O ponto é que o formato é cansativo, e normalmente só interessa ao entrevistado e aos seus. Em tempos de TikTok, 18 minutos de conversa é quase uma eternidade.

Apesar da força das redes sociais, e eventuais ajustes que devem ser feitos por ambas equipes, a campanha deverá realmente ganhar corpo a partir de setembro/outubro e pegar fogo na reta final, como sempre aconteceu. O clima relativamente ameno entre os concorrentes, também deverá esquentar a medida que for se aproximando do pleito. Não pode é descambar para a baixaria, pois independente de quem ganha ou perde, todos são advogados e obrigados a conviver e lutar pelas mesmas pautas.

LEIA+
Em Porto Velho chove, a cidade alaga e o prefeito diz que a culpa é da população

Uma coisa que tenho percebido, que falta a ambos, apesar de discordâncias pontuais, é a apresentação de uma pauta enxuta, direta, que responsa a pergunta: O que a nova diretoria vai fazer para melhorar o cotidiano dos advogados, principalmente os que ingressam agora na advocacia?

A segurança jurídica brasileira anda seriamente ameaçada com sucessivas decisões contraditórias do Supremo Tribunal Federal, devaneios golpistas e ameaças à democracia. A OAB sempre foi uma ilha para quem busca por justiça, e pela defesa das prerrogativas, e outras pautas caras à sociedade, como a própria manutenção da ordem social, democracia, direitos humanos, respeito à Constituição e a inibição de abusos por parte de alguns agentes públicos e políticos. Além disso, prevê-se eleições gerais turbulentas em 2022, e como a Ordem vai se portar diante desse cenário tempestuoso?

A cobrança virá, de todos os lados, e vai recair sobre quem estiver à frente da entidade em 2022. Apesar das pautas regionais, e defesas sociais, a OAB terá um papel importante no processo, sendo protagonista inclusive, como foi no passado em situações similares.

Independente de ‘direita ou esquerda’, a OAB tem que colocar a ordem social e a defesa dos advogados em primeiro plano, para poder atuar com parcimônia.

Jornalista, consultor em comunicação e gestão de crise

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

0 Comments
Total
0
Share
scroll to top