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Em Porto Velho, militares fecham rua pública e transformam em condomínio fechado

O Comando da Força Aérea em Porto Velho, capital de Rondônia, resolveu por conta própria se apropriar de uma rua inteira, na cara dura, bloqueando o acesso da população, para transformar o local em uma ‘área segura para a família dos oficiais’. O Brasil virou, realmente, terra de ninguém.

A rua Herbert de Azevedo, entre as avenidas Presidente Dutra e Farquar, no bairro Olaria, foi fechada com grades, onde consta a informação “Comando da Aeronáutica – Propriedade da União”. A quadra é ocupada por uma vila de oficiais, mas é pública, e nunca pertenceu à União.

A grade colocada no local

O local já era patrulhado por soldados armados, durante 24 horas.

De acordo com o secretário de Trânsito da capital rondoniense, Ronaldo Flores, não há nenhuma permissão vigente emitida pela SEMTRAN para o bloqueio da via. 

O que há é apenas uma autorização emitida em 2020 para o fechamento parcial da rua após um registro de homicídio na região. 

“Foi autorizado no ano passado uma permissão para um bloqueio temporário, sem barreiras físicas para fechamento durante a noite. Não há autorização para esse fechamento realizado no local”, afirmou o secretário Ronaldo Flores, ao jornal eletrônico Rondoniaovivo, que divulgou o caso. 

Como era a rua antes da grade

Em nota, os militares alegaram que “o bloqueio é para preservar o patrimônio imóvel da União sob responsabilidade do Comando da Aeronáutica”. E afirmaram ainda que “existe a necessidade de melhorar a segurança no local”.

O retângulo mostra a área. ocupada pela vila militar. Os traços, o trecho da rua que foi fechado

No passado, moradores de uma rua sem saída, um beco, tentou fazer a mesma coisa em Porto Velho. O Ministério Público agiu rápido, impedindo a ‘adaptação’. Resta saber como será a reação das autoridades com essa ‘grilarem de rua’ feita pelos militares.

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A vila existe há décadas, e como eu disse, ela já é guarnecida. O comando da Base vai ter que arranjar uma desculpa melhor que ‘melhorar a segurança’, porque se soldados armados com fuzis não conseguem guarnecer uma vila de oficiais, não tem razão de existir uma força armada. É mais barato extinguir.

Jornalista, consultor em comunicação e gestão de crise

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