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Jean Douglas Miranda, de 37 anos, foi internado com a síndrome de Guillain Barré em fevereiro. Em 28 de abril, ele recebeu o diagnóstico de Covid-19

Depois de perder os movimentos do corpo por causa da síndrome de Guillain-Barré, um empresário de Porto Velho está tendo que lutar contra o novo coronavírus. Jean Douglas Miranda Rodrigues, de 37 anos, contraiu a Covid-19 enquanto estava internado na UTI do Hospital de Base (HB). 

A Secretaria Estadual de Saúde (Sesau) confirma que o paciente está com Covid-19 e diz que o ambiente hospitalar tem um alto grau de risco de contaminação. 

A denúncia de contaminação foi feita por Ricardo Farias, amigo de Jean, e um vídeo chegou a ser postado nas redes sociais para mostrar a situação do paciente.

Dias atrás o secretário de Saúde Fernando Máximo acusou os profissionais de enfermagem que atuam no Hospital de Base de não usarem os equipamentos de proteção individual.

O sindicato reagiu em nota, afirmando que Máximo faltou com a verdade, e que o Estado não estaria fornecendo os equipamentos.

Ricardo contou que Jean estava em casa, no dia 7 de fevereiro, quando sentiu fraqueza no corpo. No dia seguinte, ele não conseguiu se levantar e acabou caindo no chão. Já na Unidade de Pronto Atendimento (UPA), os médicos desconfiaram que o paciente estava com a síndrome Guillain-Barré. 

Jean então foi encaminhado para o Hospital João Paulo II, no dia 9 de fevereiro, e teve uma paralisação completa dos membros abaixo do pescoço. “Ele precisava ser mandando imediatamente pra UTI a partir do momento que ele tinha broncoaspirado. Essa doença, em casos muitos graves, chega a parar o pulmão e o coração”, diz Ricardo.

Ainda segundo o amigo, no dia 11 de fevereiro, a família de Jean conseguiu a transferência dele para o Hospital de Base e, com a realização do exame, foi confirmado a Guillain-Barré em Jean. 

“Por conta disso tem que ser adotado um protocolo pra esses pacientes; é preciso ser aplicado imediatamente após o diagnostico varias injeções de imunoglobulina humana”, afirma o amigo Ricardo. 

À reportagem, Ricardo apresentou um documento assinado por uma neurologista do HB prescrevendo 8 frascos por 5 dias. 

Documento mostra prescrição para tratamento da síndrome, em RO — Foto: Facebook/Reprodução
Documento mostra prescrição para tratamento da síndrome, em RO — Foto: Facebook/Reprodução 

Ricardo diz que o medicamento não foi ministrado a Jean. A partir disso, ele passou a tentar ajudar o amigo indo ao Ministério Público (MP) e tentando contato com o secretário estadual de saúde Fernando Máximo, mas não obteve resposta por rede social. 

“Em nenhum momento o governo disponibilizou esse tratamento. No caso dele ele tinha uma certa urgência porque quanto mais rápido fizesse o tratamento, maior a possibilidade dele se restabelecer sem sequela nenhuma”, diz Ricardo. 

Após cerca de duas semanas do diagnóstico, foi iniciado um tratamento chamado plasmaferese, para a retirada do excesso de anticorpos do organismo. O tratamento foi aplicado por 14 dias alternados e apresentou uma resposta positiva, inclusive com a retomada de alguns movimentos do corpo de Jean Douglas.

“Ele começou nessa recuperação heroica, começou a voltar a mexer a ponta dos dedos. com 30 dias depois ele já mexia a cabeça e interagia bem”, diz elogiando a equipe da unidade, apesar da falta da imunoglobulina humana. 

Infecção por coronavírus dentro do HB

“No fim de abril gente recebeu a notícia que Jean iria fazer um exame de Covid-19, mas até então todos os boletins estavam ok, e já havia 10 dias que ele não estava no respirador mecânico. Na segunda-feira, pra nossa surpresa, ele foi constatado com Covid”, relata o amigo. 

Por causa da pandemia do novo coronavírus, um decreto do governo suspendeu as visitas em unidades de saúde do estado. 

“Foi um susto muito grande. Proibiram a família de ver ele com intuito de proteger e ele estava sendo contaminado lá dentro. Ele já está imunodeprimido, então a família entrou em desespero”, lembra.

A esposa de Jean recebeu a informação de que o marido seria transferido e, no dia 28 de março, ela soube que ele estava na Assistência Médica Intensiva (AMI), unidade de referência para tratamento de Covid-19 em Porto Velho. 

“Quando a gente acha que a pessoa está cuidada, protegida, na verdade o foco da doença está lá dentro. Infelizmente quando ele foi pra AMI, foi pra máquina e estava em coma. Pra mim esposa, e pra família foi algo muito desesperador porque ele já estava com uma doença que deixa ele debilitado”, desabafou. 

O que diz o estado?

Em nota, a Sesau a confirmou que o paciente contraiu Covid-19 dentro do hospital e explicou que a medicação não foi utilizada, pois tal benefício é questionado cientificamente. 

“A Covid 19 já é transmitida comunitariamente. E o ambiente hospitalar tem um alto grau de risco, por isso são realizados os testes nos pacientes. E também a restrição da entrada de acompanhantes e visitantes. Sobre o uso da imunoglobulina, o paciente não fez o uso devido nesta fase da doença o seu benefício já ser questionado cientificamente. Ele está recebendo todo o tratamento necessário recomendado pela equipe médica”, disse a secretaria.

À reportagem, a secretaria informou que Jean tem se recuperado e atualmente segue internado na AMI. 

“O paciente foi transferido do HB [Hospital de Base] port ter testado positivo para Covid-19. O mesmo encontra-se acordado na AMI sem sedação, estável, sem o uso de drogas vasoativas, já respirando a maior parte do dia espontaneamente sem auxílio de ventilação mecânica e mantendo boa função renal”. Com G1

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Jornalista, consultor em comunicação e gestão de crise

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