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Frequentada pelo governador e deputados, Igreja Batista às Nações é processada por contratar trabalhador, não pagar e deixa-lo em situação degradante; confira

A Igreja Batista das Nações, em Porto Velho (RO) está sendo processada por um trabalhador rural que foi contratado para cuidar de uma propriedade rural da instituição e, além de mantê-lo em condição degradante, não pagava sequer o combinado, menos de um salário mínimo e pior, em plena pandemia causada pelo coronavírus, o dispensou sem justa causa, deixando ele, esposa e filhos em situação de miséria.

De acordo com o processo 0000621-69.2020.5.14.0005, que tramita no Tribunal Regional do Trabalho em Porto Velho, Joelson Rocha de Souza foi contratado para trabalhar e residir no KM 15, Bacia Leiteira, Ramal do Boto, Chácara “Igreja Batista às Nações” em 30 de junho de 2018, para trabalhar com caseiro, recebendo a quantia de R$ 600, além de um botijão de gás e uma cesta básica por mês. A contratação foi feita pessoalmente pelo pastor Fábio Ramos, presidente da entidade que prometeu ‘pagar um salário mínimo em breve’, o que nunca aconteceu.

De acordo com frequentadores da igreja, que souberam do processo e encaminharam à PAINEL POLÍTICO, ‘o que mais doía era ver esse coitado vindo receber todos os meses na igreja, ele chegava por volta das 7 da manhã e só conseguia ir embora de tarde, porque ficavam dando chá de cadeira de propósito“, disse um frequentador.

No dia 15 de maio deste ano, sem qualquer justificativa, o pastor teria demitido Joelson, sem aviso prévio, deixando ele, esposa e três filhos menores na rua. Por conta dessa situação, ele procurou a justiça do trabalho e pelas contas apresentadas, teria direito a receber pouco mais de R$ 45 mil, pela fato de nunca ter recebido um salário mínimo, garantido por lei, nem férias, 13º salário e multa.

Cerca de 45 dias antes de ser demitido, foi feito registro de ‘trabalhador urbano” como “serviços gerais” na carteira de trabalho de Joelson. Por conta disso, ele não conseguiu acesso ao seguro desemprego.

Fotos que foram anexadas ao processo mostram as condições degradantes que Joelson e sua família viviam na propriedade, telhado quebrado, falta de banheiro, piso de terra batida e total falta de condições para uma vida digna.

Área externa do barraco onde a família lavava louça
Alimentos ficavam expostos, e as paredes do barraco não tinham ‘mata juntas’, para evitar entrada de insetos
Visão externa das condições de moradia de Joelson, esposa e três filhos menores
“Banheiro” usado pela família
Fogareiro usado como ‘cozinha’
Dormiam todos no chão, no mesmo cômodo

Viviam todos no mesmo cômodo, pai, mãe e crianças, sem nenhum tipo de privacidade. Por muito menos o Ministério Público do Trabalho já ingressou com ações por condições análogas ao trabalho escravo.

A Igreja Batista às Nações é presidida pelo pastor Fábio Ramos. Em sua página nas redes sociais, exalta a família, a importância dos núcleos familiares, a proteção às crianças e ações de solidariedade.

No último domingo, o culto teve a participação e pregação do governador Marcos Rocha (PSL) que é frequentador da igreja. No perfil do pastor, fotos com o governador e até com o presidente da Assembleia Legislativa Laerte Gomes são exibidas.

Governador Marcos Rocha, com pastor Fábio Ramos, Chefe da Casa Civil e presidente da ALE, Laerte Gomes

Culto de domingo

No último domingo, 2, o governador Marcos Rocha esteve presente ao culto promovido pela Igreja Batista às Nações onde falou sobre solidariedade, amor ao próximo, seu trabalho como governador, enalteceu que ‘seu governo é de Deus’. e transmitiu tudo ao vivo pelo seu perfil no Facebook.

Jornalista, consultor em comunicação e gestão de crise

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