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Comprado “em segredo” segundo o governador, prédio não atende as necessidades para pacientes com Covid-19

O governador de Rondônia Marcos Rocha (PSL) comprou, segundo ele próprio afirmou, “em segredo” o prédio da maternidade Regina Pacis, um imóvel com 33 anos, que foi sendo ampliado aos poucos, o famoso “puxadinho” está passando por reformas.

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De acordo com um memorial descritivo, sem grande detalhamento, o imóvel é constituído por 17 salas/consultórios, 10 laboratórios, 18 apartamentos, 18 salas dos setores de Administração (RH – Financeiro), com área total construída de 3.083,00m².

Maternidade não tem sequer estacionamento para ambulâncias

O deputado estadual Luizinho Goebel esteve no local na última quarta-feira, onde chegou a ser hostilizado por um homem que se apresentou como “filho da dona”. O parlamentar disse ter ficado “horrorizado” com a precariedade do imóvel, “fizemos algumas imagens com drone, e nunca tinha visto tanto remendo em um telhado só”, declarou o deputado que é presidente da Comissão de Obras da Assembleia Legislativa.

Goebel afirmou ainda que não quer ‘politizar’ a compra feita pelo Estado e está aguardando a documentação que foi pedida pelo deputado Jair Montes (Avante) como a cópia do contrato e o detalhamento da compra.

Um parecer da secretaria jurídica da Secretaria de Saúde apontou uma série de falhas na documentação do imóvel, incluindo projetos de arquitetura, certidões negativas e até de viabilidade ambiental.

Veja abaixo a íntegra do parecer da Sesau.

Ao mesmo tempo que o prédio está sendo reformado, deputados e órgãos de fiscalização cobram do governo o detalhamento do negócio. O deputado Luizinho Goebel declarou informalmente que “o prédio não vale R$ 2 milhões, se olharmos a estrutura que está disponível”. No pacote, foi avaliado um total de pouco mais de R$ 3 milhões em equipamentos e mobiliário, mas o governo está pagando R$ 12 milhões.

Essa foi a segunda investida que o governo de Marcos Rocha fez no setor privado. Antes o Estado havia negociado alugar parte do Protocordis, ao custo de quase R$ 10 milhões durante 3 meses. O negócio foi glosado porque, segundo o governador, “fofoqueiros da imprensa” estragaram o contrato.

A pergunta é, se o negócio é lícito e atende todas as exigências previstas em lei, qual o motivo de desistir? E qual o motivo de ‘comprar em segredo’? E o mais grave, desde quando governo, usando dinheiro público pode comprar alguma coisa em sigilo? Isso tem nome, chama crime de responsabilidade, coisa que os deputados estaduais desconhecem, pois era motivo de afastamento imediato de Marcos Rocha e demissão sumária de Fernando Máximo.

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Jornalista, consultor em comunicação e gestão de crise

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