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Hildon Chaves foi reeleito, mas perdeu capital político

A vitória apertada de Hildon Chaves no segundo turno das eleições em Porto Velho nem deveria ser comemorada, e sim observada com atenção por seu grupo e apoiadores. 

Hildon foi reeleito porque sua adversária era muito, mas muito ruim. Cristiane Lopes não tem agenda própria, é uma vereadora insípida, e mostrou que não tinha planejamento algum. Foi péssima nos debates e mesmo assim, ainda conseguiu 92.015 votos, contra 109.992 de Hildon, o que representa uma diferença de míseros 17.977 votos. 

Isso está longe de ser motivo de comemoração ou sequer de cogitar em ‘tirar merecidas férias’ como o próprio prefeito gosta de dizer. A vitória de Hildon foi possível graças também à rejeição do discurso fundamentalista de Cristiane Lopes, que apostou na carga populista das igrejas para cooptar os mais desavisados. Os votos dos eleitores moderados, aqueles que não querem ser governados por uma dublê de Marcelo Crivella, e para isso vão às urnas, diferente daqueles mais de 110 mil que preferiram se abster e depois ficar reclamando da classe política em redes sociais.

Há que se levar em consideração também que Cristiane teve um forte empurrão do deputado federal Léo Moraes, que mostrou força ao conseguir levar para o segundo turno uma candidata que integra a câmara de vereadores da cidade e lá, como edil, não faz diferença alguma. E mostrou ainda que se Léo tivesse sido candidato, teria levado em primeiro turno.

O que Hildon  ganhou foram mais dias de férias. Agora, com um vice que ele considera “um amigo”, vai poder se afastar da prefeitura por mais tempo e deixar Maurício Carvalho trabalhando, ou ao menos, à frente da prefeitura.

O resultado da eleição mostra que Hildon não tem capital político, e queimou seus últimos cartuchos nessa disputa. Se ele realmente acredita que esse resultado lhe é favorável, ele entende tanto de política quanto os que acreditam que Breno, Cristiane e Vinicius Miguel ameaçam uma possível reeleição de Léo Moraes à câmara dos deputados em 2022. 

Léo tem algo que chama “capital político”, eleitores que acompanham sua atuação, cobram posicionamentos e até o criticam, e ele reage a isso, interagindo e dando satisfações. Tem tido uma atuação de destaque no Congresso, sem se deixar levar pelo canto da sereia dos bolsonaristas ou do fisiologismo do chamado “centrão”, que são aqueles oportunistas guiados pela onda do momento. É um eleitorado sólido, que vem aumentando de acordo com seu trabalho. 

E ele fez uma aposta, acreditando que Cristiane Lopes, por mais crua que fosse, seria melhor que Hildon e o chamado “grupo do Expedito”, onde se encontra Vinicius Miguel, esse sim, um dos maiores derrotados nesse processo. Miguel virou uma espécie de “centrão local”, é quase um Ciro Gomes de Rondônia. Flerta com a esquerda, mas se bandeia para a direita quando lhe é conveniente.

A conferir o resultado das eleições em 2022.

Jornalista, consultor em comunicação e gestão de crise

1 Comment

  1. Léo Morais não tem sua cadeira de deputado federal ameaçada por nenhum desses, mas poderá deixar a cadeira vaga por ser um grande momento de saltar para o senado e não encontrar quem o atrapalhe neste projeto até o momento.
    Talvez Leo Morais tenha que lidar com sua ambição por desejar o governo e não o senado, o caminho mais fácil é o senado e deixar de concorrer em 2020 foi prudência para maior dedicação no salto de 2022.
    Agora, sobre os deputados federais, certamente Cristiane ocupará uma vaga, sendo que das atuais 3 estarão disponíveis, pois 2 buscarão concorrer em outros cargos e a onda Bolsonaro não se repetirá abrindo assim mais uma vaga.

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