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Já se sabia que taxista tinha coronavírus, porque ele não foi internado e isolado?

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Prefeitura errou feio em liberar taxista para ‘quarentena domiciliar’

A ausência do poder público em relação aos trabalhadores informais é uma coisa escandalosa e criminosa. A morte do taxista Aparecido Rodrigues Lopes, o “Leão”, de 66 anos, na última quarta-feira, comprova o descaso da prefeitura e governo do Estado.

O taxista chegou a ser atendido em uma Upa da Zona Leste, onde chegou com febre, tosse e falta de ar.

Ele próprio relatou, em áudio a um amigo, que, como não estava em estado grave, não tinha com o que se preocupar. “Esse coronavírus ai é só se tiver falta de ar, e dor de cabeça e dor de garganta. Se não tiver não, não faz não (o exame), fazer o que né?”, disse Aparecido ao amigo, 

A prefeitura, por sua parte, alega que Aparecido, já na segunda visita a UPA, “foi colocado em isolamento, atendido, medicado e fez exames. Ao final foi orientado a se isolar em casa”. 

Agora, como que as autoridades epidemiológicas, sabendo que Aparecido estava com forte suspeita (quase certeza absoluta) de estar com a doença, altamente contagiosa, é liberado para “se isolar em casa”. O próprio Aparecido contou que o médico o ajudou a comprar os remédios receitados. O equipamento de raio-x público estava quebrado (segundo o taxista) e ele sequer tinha dinheiro para fazer em uma clínica particular. E como esse senhor, com todos os sintomas foi liberado para ir para casa, se, ao que tudo indica ele estava sozinho quando procurou atendimento.

Não que o Estado tenha que ser babá de alguém, mas no caso específico, todos os indícios apontam para uma total falta de sensibilidade, e responsabilidade dos atores envolvidos nessa tragédia, que dificilmente teria sido evitada (a morte), mas o contágio sabe-se lá de quantas outras pessoas.

Rondônia vinha se saindo bem no quesito de controle da pandemia, mas depois dessa morte, o cenário que se aproxima é desolador. Podemos esperar, no mínimo, pelo menos mais umas cinco pessoas que tenham sido contaminadas involuntariamente por Aparecido. E elas serão tratadas da mesma forma?

Em quantos lugares Aparecido esteve? Quantos passageiros ele transportou achando que tinha “apenas uma gripe”, e o restaurante onde ele almoçava e jantava? E de quantos amigos taxistas ele se aproximou, conversou e apertou as mãos nesse período?

Todas essas possíveis vítimas poderiam ter sido salvas com uma simples medida. A internação e isolamento de Aparecido até que saísse o resultado de seus exames.

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