Lockdown em Porto Velho é necessário para manutenção dos empregos; entenda

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Nesta sexta-feira, 27, à 10 da manhã, está sendo convocada uma ‘carreata’ promovida por ‘empresários autônomos, comerciantes, motoristas de aplicativos e profissionais liberais”, pedindo a abertura ampla e irrestrita do comércio em Porto Velho e no estado. Vai ser a insanidade acompanhada de buzinaço. Os ‘empreendedores’ querem que os familiares isolem os idosos em suas casas e saiam para trabalhar, como se fosse uma coisa simples.

Um dos grandes articuladores desse movimento é Adélio Barofaldi, o idoso milionário, do grupo de risco, dono de concessionárias, fazendas e empreendimentos imobiliários no Estado. Ele chegou a gravar um vídeo onde afirma que “o fechamento do comércio neste momento, com mais de 100 dias em paralisações e abertura não vai levar a mais nada. Que a população está indignada de ter que ficar em casa, não fica porque ninguém fica 100 dias confinados e o comércio não aguenta mais ficar fechado. Acho que essa atitude do prefeito é impensada, não conversada com a classe empresarial e as consequências disso vai ser o maior desemprego pra população“.

Barofaldi se referia ao ato, quase desesperado, do prefeito de estar buscando apoio para decretar um fechamento total, por um prazo de 14 dias para tentar conter o avanço do coronavírus na cidade.

Hildon Chaves está certo em fechar. Nesta sexta-feira o prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil anunciou que a partir de segunda, 29, apenas os serviços essenciais vão funcionar na cidade (e as igrejas não estão entre eles). Lá em Belo Horizonte, foi tentada (e estava sendo utilizada) a mesma fórmula adotada por Marcos Rocha e seu time de assessores, de abertura gradual em quatro etapas. Não deu certo em BH, não vai dar certo em Porto Velho e nem lugar nenhum do mundo, enquanto não tivermos uma vacina.

O fechamento total, por um prazo de 14 dias, pode. ajudar a estabilizar os números, não que eles parem de subir, mas isso vai acontecer em um ritmo mais lento. O ideal seria fechar por 20 a 25 dias. Totalmente. Isso funcionou vários países da Europa.

E os empregos? Pois bem. Conforme o próprio Adélio destacou, já se passaram 100 dias entre abre e fecha. Se tivessem fechado totalmente por 30 dias, hoje a realidade seria outra. Exatamente por pressão dos que se autointitulam ‘setor produtivo’ que Rondônia está na atual condição.

O trabalhador precisa compreender que as empresas vão sempre precisar de mão de obra. Quem ficar desempregado por conta da redução de vendas ou negócios, vai voltar a ser contratado quando a vida voltar ao normal, e isso vai acontecer, mas é preciso paciência.

“Há, mas até lá você vai pagar meus boletos?”. Não, não vou. Quem deveria estar pagando é o governo e prefeitura. Eles foram eleitos para administrar problemas e crises. O correto seria prefeitura e governo terem feito um planejamento juntos para amparar os que estão em situação de fragilidade econômica complementando o auxílio emergencial que vem sendo pago pelo governo federal. Se isso tivesse sido feito, poderiam estar garantindo uma renda de pelo menos 1.000 para cada trabalhador enquanto o comércio ficasse fechado. Mas a incompetência do governo estadual, por exemplo, depois de muita cobrança e pressão, resolveu pagar 200 de auxilio.

Rondônia vive um vácuo de gestores, e cá entre nós não sei se os que não foram eleitos estariam agindo de forma diferente. Talvez Expedito Júnior ou Maurão de Carvalho estivessem sendo iguais a Marcos Rocha, ou talvez até piores, devido ao ineditismo da situação.

Mas o que sabemos com toda a certeza é que pior que está, pode ficar. A incompetência está custando vidas e causando a morte de CNPJs, mas isso pela insistência de querer abrir um comércio quando poucos estão dispostos a sair para comprar. Não consigo imaginar alguém provando roupas em uma loja em plena pandemia. Entrando e saindo de carros em uma concessionária, indo ao cinema e ficando em restaurantes sob o ar condicionado enquanto saboreia um self service. Ou até mesmo pegando um carro de aplicativo, onde o motorista está isolado em um plástico, mas os passageiros atrás, compartilham do mesmo ar dos passageiros anteriores.

Não tem essa de ‘quem quer abrir que abra’. Vivemos em uma coletividade e vidas precisam ser preservadas. Consumidor morto, não compra nada. Nem velório atualmente.

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