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O complicado dilema de Marcos Rocha, de um lado Bolsonaro, de outro a realidade

Eleito por ter associado sua imagem ao do presidente, governador de Rondônia enfrenta o avanço da pandemia no Estado em meio a críticas de seu mentor político

Durante a campanha eleitoral de 2018 Marcos Rocha fez questão absoluta de ‘colar’ sua imagem ao do então candidato Jair Bolsonaro. E a estratégia deu certo. Rocha derrotou o então favorito Expedito Júnior e tratou de ir a Brasília para participar da posse do ‘seu amigo’ capitão.

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O primeiro ano, como sempre, de ajustes. A economia brasileira na UTI, dando sinais fracos de recuperação em um ou outro setor, mas parecia que ‘2020 seria o grande ano’. Mas, começou com algumas incompatibilidades. Bolsonaro, fechado em seu mundo de fantasia, acreditava (e ainda acredita) que a ‘economia estava voando alto’ e que só não estava melhor por culpa dos governadores, que insistiam em sabotar seu governo. Abriu uma guerra com os estados. Culpou os entes federados pela alta do preço dos combustíveis, a gasolina chegou a ser vendida a mais de R$ 5 o litro. Mas, segundo Bolsonaro e sua lógica distorcida, ‘a culpa é do ICMS’, um dos principais mecanismos de arrecadação dos estados.

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E colocou Marcos Rocha na primeira saia-justa. Sem poder se contrapor ao capitão, Rocha preferiu a neutralidade dos que não querem se comprometer e recusou assinar a Carta dos Governadores, documento que distribuía as responsabilidades e cobrava da União uma política fiscal séria.

Em Porto Velho e Ji-Paraná, a população chegou a ir às ruas cobrar de Rocha um alinhamento com Bolsonaro, e que o ICMS fosse ‘zerado’ conforme o capitão cobrava. Rocha se fez de desentendido, sumiu uma semana e depois reapareceu dizendo um monte de coisas e falando nada.

Mesmo assim, as coisas caminhavam com certa normalidade, afinal, o paciente ‘economia’ já respirava sem ajuda de aparelhos.

Marcos Rocha em entrevista à Painel Político em 2018

Mas eis que surge ‘um plano comunista de dominação global’, conforme os terraplanistas adoram falar e a ‘arma utilizada’ é um vírus cuja origem se divide em duas teses, ‘ou foram os chineses comedores de morcego’ ou foram ‘os chineses comunistas que criaram o vírus em laboratório’, depois de comer morcego, é claro.

Teses amalucadas à parte, temos os números da realidade, que se confrontam com os discursos míopes do presidente. Desde que a Itália naufragou em meio a centenas de cadáveres após ter zombado da capacidade de contágio e letalidade do Covid-19, o mundo teve a certeza que o isolamento social e a quarentena eram as soluções mais eficazes. Países que radicalizaram conseguiram os melhores resultados, claro que cada qual com suas particularidades, mas conseguiram salvar vidas, porque é importante destacar, toda vida importa.

Marcos Rocha resolveu adotar essas medidas logo no início da pandemia, o que colocou Rondônia entre os estados menos afetados até a semana passada. Porém, prefeitos de municípios menores, acossados pelos ’empresários que iriam falir’ e por um bando de irresponsáveis que ainda não entendeu a gravidade da doença, passaram a pressionar e a burlar o isolamento.

Rocha foi no embalo, e chegou a editar um decreto flexibilizando a abertura de vários segmentos, e após decisão judicial, teve que recuar. O mesmo aconteceu em outras cidades, como Ariquemes, que não tinha nenhum caso, e agora tem 21.

Ao mesmo tempo, Marcos Rocha vê o ‘capitão’ conclamando as pessoas a irem às ruas, pressionando pela reabertura e a ‘volta à normalidade’. Não vai mais existir ‘normalidade’ como antes. O novo normal será o uso obrigatório de máscaras, desinfecção constante de locais, fim das aglomerações e cada vez mais, o isolamento, ao menos até que seja encontrada uma cura para o Covid-19.

Enquanto isso não ocorre, resta saber como vai ficar Marcos Rocha diante da tensão política que aumenta a cada semana. Ter sido eleito no Estado que tem um dos maiores números de ‘bolsonaristas’ tem uma cobrança natural de que as políticas sejam alinhadas às do capitão. Já disse isso antes e repito, Marcos Rocha precisa ter personalidade política própria, porque o destino do capitão é o pijama, e bem antes do que ele previa.

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