O filho do meu amigo foi assassinado; meu forte abraço a Paulo Andreoli

Envie para seus amigos

A primeira impressão que temos é que falta o chão. Literalmente. Ao acordar, me deparo com várias mensagens perguntando se era verdade que meu amigo tinha perdido um filho. Com várias mensagens, você já pressente que algo de muito ruim aconteceu.

Tento falar com ele, primeiro por mensagem, era muito cedo para telefonar. Chegam outras mensagens fazendo o mesmo questionamento. Então telefono. Fora de área.

Telefono então para quem está sempre perto. E vem a dolorosa confirmação. Era verdade. Beto Andreoli, o menino bonito que deixava as meninas encantadas por onde passava, havia sido brutalmente assassinado por um motivo fútil. Nesse momento eu estava a caminho da padaria. Sentei. Ouvi o restante do relato. Eliardo, meu amigo, socorreu Beto que morreu em seus braços. Não estou perto para lhe dar um abraço. Só me resta tentar confortar com palavras.

Não consegui falar com meu amigo Paulo, que imagino, está destruído pela dor. É uma dor indescritível. Sou pai e sei o que é ao menos pensar em perder um filho de forma tão estúpida.

Queria estar ai para poder dar um abraço forte em Paulo, pra gente chorar até perder a voz.

A Paulo, Fran e a todos que fazem ou já fizeram parte da família Rondoniaovivo, fica meu abraço. Queria estar aí papa poder abraça-los e conversarmos e relembrar de todos os bons momentos que passamos, que rimos, nos emocionamos.

Beto era um menino de 31 anos. Mas era um menino. Alegre, teimoso, emburrado, que já deixa saudades. Era generoso, do tipo de tirar a camisa e dar para um desconhecido, simplesmente porque ele queria ajudar.

Quando se dispunha a auxiliar alguém, fazia isso como se estivesse ajudando a si. Era um sujeito expansivo. Quando chegava, sempre se fazia notar. Era destemido, talvez por ter começado no motocross ainda criança e tinha aquela certeza que todo jovem tem, que é inatingível. Quiçá fosse verdade.

A meu amigo Paulo, só posso desejar o conforto que Deus nos proporciona em horas de tamanha perda.

A Eliardo, que consiga dormir após presenciar tamanha barbárie.

Beto foi morto essa madrugada, na porta de casa, por um sujeito que já havia matado outras três pessoas.

Continuo sem chão. Mas com lembrança boa de ter conhecido Beto e ter convivido com ele durante vários anos.

Deixe um comentário