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Por ausência e incompetência do Estado, facções dominam residencial popular e adolescente de 15 anos é executada em Porto Velho

O Brasil virou um país com mentalidade punitivista, e isso vem acentuando a cada ano. Porém, o Estado brasileiro não tem capacidade para abrigar os presos, os presídios estão cada vez mais cheios, e isso representa soldados para as facções criminosas. E soldados cada vez mais jovens e violentos.

E o resultado é percebido principalmente nas regiões menos favorecidas, onde o Estado é ausente. E é isso que podemos ver acontecendo em Porto Velho, capital de Rondônia, que junto com Manaus (AM), fornece integrantes para essas facções.

Confúcio Moura construiu um imenso complexo à título de ‘moradias populares’ onde a polícia, quando vai, prende meia dúzia que horas depois volta às ruas, não porque a justiça é ‘frouxa’, mas pelo simples fato que não se pode manter pessoas presas sem provas, ou por crimes de menor potencial, como portar uma paranga de maconha. Essas prisões servem apenas para colocar nas mãos dessas ‘irmandades criminosas’, novos recrutas.

E quando o Estado se ausenta, essas irmandades ocupam, e fazem o que deveria ser feito pelo poder público, dar amparo as famílias, oferecem ajuda, e em troca arregimentam soldados, que morrem muito jovens para entender suas próprias histórias, mas não sem antes cometerem barbáries, e foi o que aconteceu essa semana.

Uma jovem de 15 anos foi assassinada a tiros no Residencial Orgulho do Madeira em Porto Velho. O crime aconteceu na noite da segunda-feira (28). Antes ela foi torturada, obrigada a gravar um vídeo jurando fidelidade a uma facção criminosa, teve o cabelo cortado e depois foi executada, no meio da rua, em uma cena de barbárie. Mais uma na longa lista de assassinatos e execuções que vem ocorrendo naquela região.

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No registro policial consta, que horas antes do crime, viaturas da PM tinham sido acionadas para comparecerem no Residencial Orgulho do Madeira, pois haveria integrantes da facção criminosa Comando Vermelho torturando uma mulher, que seria de uma facção rival Primeiro Comando do Panda (PCP). Porém, de acordo como boletim, nada foi encontrado no local informado na denúncia.

E o o secretário de segurança pública de Rondônia, Hélio Pachá, que ostenta praticamente todas as medalhas que podem ser concedidas a um oficial, e que fez por conta dos cofres públicos, cursos e especializações nos mais diversos países do mundo, assiste a tudo, impotente e transbordando incompetência em promover um simples trabalho de inteligência, identificar e isolar as lideranças, colocar um posto policial fixo na região e proporcionar àquela população o que lhes é garantido pela Constituição, que é a segurança pública.

Um governador que vive em isolamento social desde que assumiu o cargo, vai para o terceiro ano de mandato sem ter uma mísera realização sequer. E olha que ele é oficial da Polícia Militar, em tese, deveria conhecer a realidade das ruas e entender que crime se combate com inteligência e políticas públicas, e não com operações espalhafatosas como as que ocorrem vez ou outra no Orgulho do Madeira, apenas para tirar fotos e iludir a população das outras regiões da cidade.

O que acontece no Orgulho do Madeira, só terá a devida atenção quando essas facções começarem a seduzir as filhas e filhos da classe média, mas aí será tarde para reverter o quadro. Vide o que acontece no Rio de Janeiro, Porto Velho segue no mesmo rumo.

Infelizmente…

Jornalista, consultor em comunicação e gestão de crise

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