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Prefeito eleito dizendo que ‘conhecia bandido com 2 min de conversa’, cai em golpe da vacina

Os agentes verificaram que a Ecosafe, além de ser recém-criada, utilizava como endereço um escritório de coworking — de espaços compartilhados — e ocultava os dados de registro de seu site

Hildon Chaves (PSDB), prefeito de Porto Velho que foi eleito em 2016 alegando que ‘conhecia bandido após dois minutos de conversa’, caiu em um golpe amador, mesmo diante de todas as evidências, e iria perder R$ 20 milhões, não fosse a atuação de uma força-tarefa da Polícia Civil de Pernambuco, que identificou, e prendeu, os responsáveis pelo golpe, que por pouco não foi concretizado.

Os detalhes do golpe, você lê mais abaixo. Vamos seguir falando do caso. O golpe começou com o vice-prefeito Maurício de Carvalho, que teria feito os contatos iniciais com os trambiqueiros, que diziam ser ‘um grupo de investidores’ que havia colocado dinheiro no laboratório para o desenvolvimento da vacina. Por isso, eles tinham direito a lotes, que poderiam vender como bem entendessem.

Em 12 de março, numa coletiva, Hildon disse que, “Na primeira tentativa de aquisição, já no sábado passado, tivemos uma reunião. No domingo conseguimos que o cartório abrisse pra fazer o apostilamento do pedido de compra. Inicialmente a negociação era pra comprar a Sputnik, mas as tratativas continuaram com a vacina da AstraZeneca, que está sendo aplicada no Reino Unido“, declarou.

Há alguns dias, em contato com PAINEL POLÍTICO, o chefe de governo do prefeito, Fabrício Jurado, declarou que estava tudo pronto para dar início à vacinação, e que só faltava chegar o imunizante.

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Na semana passada, fizemos contato com a Assessoria do laboratório AstraZeneca, e eles confirmaram a esse que vos escreve, que não havia nenhuma negociação com prefeituras. Soltei a nota e o prefeito foi para o Twitter dizer que era ‘torcida contra’, fake news’ e garantiu que ‘as vacinas iriam chegar’, afinal eles não estavam comprando do laboratório, e sim dos ’empresários acionistas’.

Voltei a inquirir a assessoria da AstraZeneca, e mais uma vez eles confirmaram que não havia tal tratativa.

O prefeito e sua trupe, ignoraram o mais básico em uma compra, que é a checagem de antecedentes de quem diz estar vendendo algo.

Os responsáveis pela lambança, que gerou forte expectativa e agora uma tremenda frustração na população, tem nomes e sobrenomes. Hildon Chaves, Maurício Carvalho, Fabrício Jurado e Marcelo Thomé, o presidente daquela federação de indústrias no estado que não tem nenhuma indústria.

O prefeito e seu atestado…do golpe

Abaixo, os detalhes da investigação e a operação, segundo o G1:

Uma empresa que ofereceu doses da vacina de Oxford/AstraZeneca a pelo menos 20 prefeituras de todo o Brasil é alvo de uma operação nesta quinta-feira (22). A Polícia Civil do RJ afirma se tratar de um golpe. 

Oito mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Pernambuco, expedidos pelo juiz Bruno Monteiro Ruliere, da 1ª Vara Criminal Especializada do RJ, na Operação Sine Die — sem data, em latim. 

Segundo a Delegacia de Combate à Corrupção e Lavagem de Dinheiro do RJ, a Montserrat Consultoria, com sede no Recife (PE), dizia ter um lote de meio bilhão de doses do imunizante, a US$ 7,90 (R$ 44) cada uma — mas que jamais seriam entregues. 

A delegacia ainda não sabe se algum município chegou a pagar à organização. A operação policial precisou ser antecipada para evitar que alguma negociação fosse concluída e que provas fossem destruídas.

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Consulado alertou para fraude

“Nas reuniões com os prefeitos, eles se passavam por representantes da Ecosafe Solutions, na Pensilvânia (EUA). Eles alegavam que essa empresa americana recebeu 500 milhões de doses por ter financiado os estudos da vacina”, explicou o delegado Thales Nogueira

Na decisão que expediu os mandados, Ruliere destacou que a Oxford/Astrazeneca não realizou qualquer transação de venda de imunizantes para o mercado privado e entes municipais ou estaduais.

“Foi apurado que a pessoa jurídica citada [Ecosafe] não tem como finalidade social de venda de vacinas e, segundo informações do Consulado Americano, tem sido utilizada para diversas fraudes”, escreveu o magistrado.

De acordo com nota do laboratório AstraZeneca, todas as doses em produção estão destinadas a consórcios internacionais, como o Covax Facility, e contratos com países. Não há doses remanescentes para serem comercializadas.

A polícia afirmou ainda que, nos contratos apresentados pela Montserrat, as cidades deveriam realizar o pagamento antecipadamentevia “swift” — um tipo de remessa internacional — ou carta de crédito irrevogável no momento da suposta postagem das doses em Londres. 

Essas operações facilitam a remessa para o exterior e dificultam a repatriação dos valores. 

Os agentes verificaram que a Ecosafe, além de ser recém-criada, utilizava como endereço um escritório de coworking — de espaços compartilhados — e ocultava os dados de registro de seu site.

A ação foi realizada com apoio da Polícia Civil de Pernambuco e da Polícia Rodoviária Federal (PRF). O setor de Inteligência da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (Core) auxiliou nas investigações.

Porto Velho chegou a separar R$ 20 milhões

Entre os municípios que receberam a oferta estão Duque de Caxias e Barra do Piraí, no Rio de Janeiro, e Porto Velho, em Rondônia. Somando apenas esses contratos, o golpe renderia quase R$ 70 milhões

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Caxias chegou a assinar um contrato de intenção para compra de um milhão de vacinas no valor de R$ 45 milhões. 

Porto Velho negocia há mais de um mês a aquisição de 400 mil doses. O acordo passa por uma inspeção do Tribunal de Contas do Estado de Rondônia. Ao todo, R$ 20 milhões foram investidos para a compra das vacinas. O dinheiro está bloqueado e só seria liberado com a remessa embarcada.

A prefeitura não se manifestou.

Jornalista, consultor em comunicação e gestão de crise

1 Comment

  1. Rapaz, não é primeira que o Deus Sol da Agência de Desenvolvimento apronta dessas em assuntos internacionais. Certa feita convenceu o SEBRAE-RO a bancar a ida dele e de uma comitiva de cupinchas à China para vender castanhas do Brasil sem antes sequer fazer um estudo de demanda. O resultado foi um passeio pela China com tudo pago pelo nosso dinheiro para passar a vergonha de ofertar e não conseguir entregar uma única castanha sequer.

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