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Representante da empresa que vendeu kits para o governo, foi sócia do Chefe da Casa Civil

Maíres de Carli era sócia de Júnior Gonçalves na RCC Comércio de Alimentos LTDA

A compra milionária e altamente suspeita feita pela Secretaria de Estado de Saúde dos kits de testes rápidos da empresa Buyer BR, ganhou mais um capítulo nesta quarta-feira.

O Estado comprou, e pagou 30% adiantado de um valor global de R$ 10 milhões, 100 mil kits de testes rápidos para Covid-19 em 7 de abril deste ano, que deveriam ter sido entregues dez dias depois. Ocorre que os kits, ainda não foram entregues, segundo a empresa, por problemas com transporte, e o mais grave, eles não tem registro na Anvisa, que era uma das exigências feitas pelo chamamento público.

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A venda chamou atenção pela velocidade que foi feita, e a dispensa de outras empresas, que tinham kits à pronta entrega, com todos os registros necessários, e até mais em conta. A prefeitura de Porto Velho comprou, no mesmo dia, kits produzidos na Alemanha por R$ 79, enquanto o Estado pagou R$ 105.

A empresa, Buyer BR é de São Paulo, e até então a relação era apenas estranha. Mas agora ficou curiosa. O site Observador divulgou nesta quarta-feira que a representante da empresa em Rondônia é Maíres de Carli, que foi sócia do Chefe da Casa Civil Junior Gonçalves na empresa RCC Comércio de Alimentos LTDA, uma espécie de ‘Herbalife’ que se apresenta assim, “uma empresa que vende Combos de Alimentos e de Limpeza e utiliza como estratégia de vendas o sistema comercial de Marketing Multinível”.

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Maíres gravou o vídeo abaixo no aeroporto de São Paulo para mostrar que os kits existem e já chegaram. Mas eles continuam sem registro na Anvisa e não podem ser utilizados no Brasil.

O Ministério Público obteve na Justiça o bloqueio dos recursos na conta da empresa, porém não informou ainda se obteve êxito, ou traduzindo, se o dinheiro ainda estava disponível na conta da Buyer BR ou se já foi comprometido.

O Corpo de Bombeiros mandou um avião à São Paulo para buscar os kits sem registro. O correto seria o Estado cancelar a compra e o Ministério Público apurar com muita cautela o passo a passo dessa negociação que envolve gente do primeiro escalão do governo. Os cofres públicos agradecem.

Jornalista, consultor em comunicação e gestão de crise

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