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Rocha tenta justificar o que não tem justificativa, mas a culpa tem que ser dividida com empresários e população

Ninguém pode acusar o governo Marcos Rocha de ter sido omisso em relação a pandemia, ou mesmo negacionista, como fez o presidente Jair Bolsonaro, a quem o governador chama de ‘amigo’.

Desde o início o governo se preocupou em reduzir os danos provocados pelo coronavírus, e cá entre nós, o colapso da rede hospitalar demorou a acontecer.

Grande parte da população de Rondônia age como se a doença fosse uma ‘gripezinha’. Conhecidos que enfrentaram sintomas leves, assim tratam a doença, e muitos sequer, mesmo suspeitando que estavam contaminados, circulavam em espaços públicos. A doença foi normalizada a um ponto, que só. passou a chamar a atenção novamente quando pessoas com mais expressão social começaram a ser entubados ou transferidos para outros centros. E infelizmente muitos não voltaram.

O governo tem culpa, deveria agir com rigor, e construir mecanismos para reduzir os danos econômicos, seja através de incentivos fiscais ou linhas de crédito, financiamentos, enfim, o governo tem que construir alternativas para que não morram pessoas. Vidas são mais importantes.

Ao mesmo tempo tem que ampliar espaços de atendimento, o que até foi feito em primeiro momento, mas com a ‘normalização’ e a ‘banalização’ da doença, Rondônia viveu um hiato mais ou menos entre setembro e dezembro onde tudo podia, debateu-se até o retorno presencial a aulas e trabalho. A fatura chegou.

O aluguel de alas como a Hospital do Amor foi criticada por alguns, dizendo que estavam jogando dinheiro fora, que não tinha mais doença. Ontem, um grupo cobrava em frente ao Ministério Público que o contrato fosse retomado, e claro, ‘tratamento precoce’ e ‘a volta da normalidade’.

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Se houve um superdimensionamento de vagas em UTIs, uma das possibilidades é que isso tenha agravado por conta do período de fim de ano, afinal, muitos que já tiveram a doença ou mesmo os que nela não acreditam, embarcaram para praias do nordeste onde passaram réveillons aglomerados. Mas voltaram para casa, e a realidade agora cobra a fatura.

É bom lembrar também que o governo é pressionado o tempo todo pelo tal ‘setor produtivo’, cujos representantes tem condições de pagar por UTIs em outros estados, ou amigos que tem condições de ajudar, mas seus empregados não tem, e são eles que agonizam nas UTIs públicas. Esses representantes estão sempre organizando carreatas, ameaçando fechamento, demissões, o caos econômico.

O maior pecado de Marcos Rocha é não saber (ou não querer) apontar responsáveis pelo problema que ele agora enfrenta. O Ministério Público não entendeu errado. O que está errado é o governo não responsabilizar os atores e dividir a culpa, e principalmente, não agir com rigor e planejamento.

Lembrem-se, se com Marcos Rocha é ruim, com o Zé Jordan sempre pode piorar…

Jornalista, consultor em comunicação e gestão de crise

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