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Instituições de ensino vão precisar passar por uma reforma comportamental

Em meio a pandemia do Covid-19, um vírus ainda em evolução, sem dados concretos sobre seu comportamento, grupos protestam contra o isolamento social em vários países, inclusive no Brasil. Preocupados (com razão) com a questão econômica, pedem a reabertura do comércio, e a volta da ‘normalidade’. Ocorre que o ‘normal’ que tínhamos até janeiro/fevereiro deste ano, não existe mais, e ao que tudo indica, deve demorar muito para termos novamente algum dia.

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Todos os pesquisadores sérios, laboratórios e cientistas afirmam que dificilmente uma vacina esteja pronta ainda este ano, e apenas a vacina resolve a situação, já que o tempo de recuperação do corpo é longo, e isso sufoca a rede de saúde, tanto pública quanto privada.

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E quando pensamos nesse cenário, a primeira preocupação dos pais é, e a escola? E o ano letivo, como vai ficar?

E essa é uma questão perturbadora. Digamos que amanhã o governo liberasse as crianças para voltar à escola, o que você faria, sabendo que o ambiente escolar é um local onde os estudantes ficam aglomerados o tempo todo, seja na sala de aula, seja no intervalo, na cantina ou nas brincadeiras em quadra.

Quem tem criança sabe bem o pesadelo que é um filho com tosse seca, febre, dor de cabeça e garganta inflamada. E a demora no atendimento nas pediatrias, o custo dos medicamentos, enfim.

Sabe-se atualmente que o vírus pode durar até 16 horas no ar, o que é um dado assustador, já que outros vírus da mesma família não tem tanta duração. Além do mais, sequelas permanentes estão sendo registradas ao redor do mundo, como amputações, danos ao cérebro e sistema respiratório. A ‘volta as aulas’ é o primeiro ato de ‘volta a normalidade’, vem a rotina de levar crianças na escola, de deixa-las ir em vans ou ônibus, de ir para a faculdade e ficar em salas abarrotadas.

Tudo isso precisa ser levado em consideração quando se pede a ‘flexibilização’ e ‘volta à normalidade’. O ‘novo normal’ será o uso obrigatório de máscaras e produtos como álcool gel na mochila escolar. Será o fim dos transportes coletivos, afinal criança é criança e não se comporta.

Quando se pede a ‘flexibilização da quarentena’ automaticamente se pede a volta às aulas. A grande maioria dos trabalhadores conta com a escola como lugar onde os filhos ficam em um período, muitos em horário integral. Se os pais voltam ao trabalho, quem fica com suas crianças?

O ideal nesta pandemia é começar a explicar para as crianças a gravidade da situação em que nos encontramos atualmente e não minimizar o problema, afinal, isso pode custar a vida de seu pequeno.

Tenho percebido pais de crianças, arrastando-as em carrinhos pelas ruas, passeando sem nenhuma proteção, como se nada tivesse acontecendo. É um erro gravíssimo e perigoso, afinal essas crianças vão precisar conviver com outras na escola, que não seja amanhã, mas em breve. É necessário atentar para a construção dessa nova ‘normalidade’, e não adotar práticas negacionistas para um perigo real e imediato.

O mundo já mudou. É necessário se adaptar a ele, e isso começa pelas crianças.

As escolas precisam começar a construir um novo ambiente, com regras mais rígidas, desinfecção de espaços e salas de aula, instalação de recipientes com álcool gel, distribuição e obrigatoriedade de máscaras aos alunos. O desafio maior será o das creches e alfabetização. Esse será um novo recomeço para os empresários do ramo.

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Jornalista, consultor em comunicação e gestão de crise

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